sexta-feira, novembro 16

O Quarto Alarga-se
Webcasts semanais no JPR



A partir de agora, o Quarto Escuro vai ter um programa semanal na webradio experimental JornalismoPortoRádio, um projecto da Universidade do Porto.

Cliquem aqui para a edição mais recente, e aqui para o índice das edições.


A segunda edição já correu um pouco melhor, embora ainda tenha saído um bocado a martelo. Enviem os vossos comentários e sugestões para o espaço para o mail oquartoescuro@gmail.com

quarta-feira, novembro 14

Um cabaz repleto
Estreias 15 Novembro


AMERICAN GANGSTER, de Ridley Scott

Estreias

AMERICAN GANGSTER, de Ridley Scott
O excelente realizador traz-nos uma história de polícias e barões da droga, evitando os lugares-comuns. Com Denzel Washington e Russel Crowe. [Ver Trailer] [Site Oficial]

CONTROL, de Anton Corbijn
O biopic de Ian Curtis antecipado pelo Quarto Escuro está aí. Livremente adaptado das memórias de Deborah Curtis, a viúva do frontman dos Joy Division. [Ver Trailer] [Site Oficial]

ACROSS THE UNIVERSE, de Julie Taymor
Um musical com canções dos Beatles, passado nos anos 60. Com Jim Sturgess e Evan Rachel Wood. [Ver Trailer] [Site Oficial]


Já em exibição

WAR, de Phillip Atwell
Um filmezeco de acção que não satisfaz nem no mais básico. Com Jet Li e Jason Statham. [Ler crítica]

ELIZABETH: THE GOLDEN AGE
Um filme fascinado mas pouco fascinante sobre o segundo terço do reinado da raínha Elizabeth I de Inglaterra. De Shekhar Kapur.
[Ler crítica]

RESCUE DAWN, de Werner Herzog
Baseado no documentário de Herzog LITTLE DIETER NEEDS TO FLY, RESCUE DAWN é a história verídica do alemão Dieter Dangler, que após conseguir o seu desejo de voar ao se alistar com a força aérea americana, cai sobre o Laos durante a guerra do Vietname. [Ler crítica]

sábado, novembro 10

Colisão Rodoviária
WAR, de Phillip Atwell



Com o coreógrafo certo, um filme com Jet Li E com Jason Statham seria fácil de tornar em algo desfrutável. Mas Jet Li já tinha anunciado que não faria mais filmes de artes marciais, e Jason Statham parece andar à procura do seu próprio DANNY THE DOG. Assim, aquilo que seria um veículo para ambos aparenta ser um anti-veículo para Jet Li, que quererá que a sua carreira se extenda para além dos filmes de acção.

WAR não é o festival de dez bofetadas por segundo que se esperaria. É um filme de acção sem acrobacias, uma história de polícias e gangsters sem profundidade ou lógica. Será que Jason Statham tomou este papel apenas pelo cheque, ou será que também quer embarcar na luta contra o typecast antes que o seu estatuto de white ninja se cristalize definitivamente? É certo que os seus papéis nos filmes de Guy Ritchie permitiam ler uma promessa que pouco tinha a ver com saltar por cima de camiões em andamento.

De qualquer forma, má escolha para ambos. Jet Li ainda tem bastante credibilidade, mais do que aquela que seria necessária para o papel que aqui tem, o do mau que se calhar não é assim tão mau. Jason Statham seria bom para o papel do bom que é duro, e que se calhar é um pouco duro de mais para ser bom. Pena que o argumento tenha o dom de esbanjar esta premissa com truques de filme de adolescentes.

Quanto à realização, parece ter sido feita por alguém sem paciência ou concentração. Um sintoma que aliás invade toda a produção, desde a fotografia aos cenários. Tudo é feito com muita atenção ao artifício à frente dos nossos narizes, esquecendo-se sempre de detalhes na periferia. Parece um filme feito por milionários, numa garagem. Também teria sido boa ideia alguém aconselhar o realizador a controlar-se, já que era alguém com íntimos contactos com o mundo do hip-hop a retratar o glitz do crime organizado.

O filme vale pela nota bizarra nas carreiras dos protagonistas. Vale pelos hilariantes excessos de estilo. Mas vale sobretudo porque o nome do filme no genérico não é o que foi distribuído em portugal (o filme é conhecido por ROGUE ASSASSIN em muitos países europeus).


Vão vê-lo com: biógrafos de Statham e Li

terça-feira, novembro 6

Estreias 8 de Novembro


WAR, de Phillip Atwell

Estreias

30 DAYS OF NIGHT, de David Slade
Filme de terror baseado na minisérie de comics de Steve Niles. Uma marca de projectos de qualidade em comics é a de pegarem num género ou situação clássica, e acrescentar-lhe um twist que permite explorar avenidas diferentes. Em "30 DAYS" somos levado a uma pequena cidade no Alasca, que de repente se vê a mãos com um problema de vampiros. O twist: estamos no período durante o inverno durante o qual o sol não aparece por ali durante trinta dias. Assim, os humanos não podem contar com a próxima madrugada como salvação, e vão ter de resistir ou aniquilar as criaturas. Com Josh Hartnett e Danny Huston. [Ver Trailer] [Site Oficial]

WAR, de Phillip Atwell
Jet Li versus Jason Statham. Parece encomendado por fãs descarados, mas está mesmo aí. Pelo que diz a crítica americana, mais história do que pancada, o que neste caso surpreende e desilude. [Ver Trailer] [Site Oficial]


Já em exibição

ELIZABETH: THE GOLDEN AGE
Um filme fascinado mas pouco fascinante sobre o segundo terço do reinado da raínha Elizabeth I de Inglaterra. De Shekhar Kapur.
[Ler crítica]

RESCUE DAWN, de Werner Herzog
Baseado no documentário de Herzog LITTLE DIETER NEEDS TO FLY, RESCUE DAWN é a história verídica do alemão Dieter Dangler, que após conseguir o seu desejo de voar ao se alistar com a força aérea americana, cai sobre o Laos durante a guerra do Vietname. [Ler crítica]

KNOCKED UP, de Judd Apatow
Depois de 40 YEAR OLD VIRGIN e SUPERBAD, Judd Apatow traz-nos uma comédia romântica que não enoja mas que também não convence. [Ler crítica]

Primeiras novas da Greve
WGA retira exigência de residuais de DVD


Um grevista usa o seu iPhone para tirar uma foto aos colegas em piquete, frente aos estúdios da FOX

Já começam a vir os primeiros resultados da greve da WGA. Do lado das negociações, a guilda dos escritores cedeu a exigência do aumento dos ganhos residuais (uma espécie de royalties) na venda de DVDs, e centra-se agora nos residuais de conteúdos descarregáveis. Esta é uma retirada estratégica, já que abandonando uma das exigências basicamente forçam os estúdios a ceder a outra. Sendo que se prevê que conteúdos descarregáveis venham muito em breve substituir os DVDs nos Estados Unidos, é uma jogada a longo prazo, semi-arriscada.

Quanto às manifestações e piquetes frente a instalações dos estúdios, tem havido grande aderência (mesmo os números mais baixos reportam mais de 3000 escritores sitiados, só na cidade de Los Angeles), e várias manifestações de solidariedade de outros profissionais da indústria.

Ellen DeGeneres, Marg Helgenberger e Robert Patrick são alguns dos actores mais conhecidos a juntarem-se à manifestação no passeio, enquanto que os teamsters (condutores para os estúdios) apoiam os escritores ao se recusarem a "furar" piquetes com os seus transportes.

Steve Carell é um dos actores que nem sequer compareceu às filmagens que tinha previstas (nomeadamente, episódios do The Office americano) em manifesto de solidariedade com a greve. Jon Stewart, anfitrião do Daily Show, já prometeu cobrir os salários de dois meses dos escritores do programa. Por outro lado, há uma quantidade considerável de "civis" que comparecem aos piquetes, e manifestações sui generis como o do clube de fãs de Joss Whedon que entregou pizzas aos escritores nos vários pontos de piquete.

Para mais inform,ações, o blog Deadline Hollywood é actualizado com frequência sobre o estado das negociações.

Update: Um vídeo fornecido pela WGA explica as razões por que estão a fazer greve, em termos simples (apesar de já não estarem a reclamar o aumento dos residuais de DVD que aparecem no princípio do vídeo). Check it out:

domingo, novembro 4

Sozinha no topo
ELIZABETH: THE GOLDEN AGE, de Shekhar Kapur



Já sabíamos que Shekhar Kapur era fascinado com a personagem da raínha Elizabeth I de Inglaterra, e também já sabíamos que era fascinado com Cate Blanchett. Agora sabemos que se devia controlar.

THE GOLDEN AGE lida com o período de conflito entre Inglaterra e Espanha (que culminou na derrota da Armada Invencível) mas de uma forma muito superficial. A trama acaba por orbitar o triângulo amoroso de Elizabeth, de Sir Walter Raleigh, e da aia mais próxima de Elizabeth, uma outra Elizabeth que assim se vê obrigada a ser chamada de "Bess".

O que define este filme é o desprezo com que os personagens secundários são tratados pelo realizador. E aqui, todos são secundários menos o personagem de Cate Blanchett. Mesmo Clive Owen tem um papel com zero profundidade, sendo a audiência levada a inferir as qualidades deste através do fascínio que Elizabeth tem por ele. Do molho de figuras bidimensionais que servem de fundo a Cate Blanchett ainda se destaca de uma maneira residual Geoffrey Rush, com o papel de Walsingham, o velho conselheiro da raínha. Os sacrifícios que a sua personagem tem de fazer devido ao seu trabalho são meramente referenciados, mas Rush consegue a melhor transmissão possível deste conflito.

Já a própria Elizabeth tem uma caracterização óptima, mas não suficiente para carregar o filme aos ombros. Cate Blanchett terá melhor hipóteses para o merecido óscar com I'M NOT THERE.

ELIZABETH: THE GOLDEN AGE não é de todo uma perda de tempo. O aspecto do filme é trabalhado, e sem ser demasiado barrocos os cenários assim como o guarda-roupa servem a sua função. Não há propriamente um desenlace para o filme, apenas uma remoção cirúrgica gradual de todos os conflitos. Os espanhóis, a esses é dada uma valente lição: metam-se com alguém do vosso tamanho (tipo, os vizinhos a Oeste)

No fim, o filme valeu a pena também porque passou a primeira trailer completa para CONTROL, o biopic de Anton Corbijn sobre Ian Curtis. Arrepiou e aumentou consideravelmente o interesse.


Vão vê-lo com: o Nuno da Câmara Pereira

Afinal a greve vai seguir
WGA marca começo da greve para Segunda



Afinal vai haver mesmo greve em Hollywood, já que a Writers Guild of America e a Alliance of Motion Picture and Television Producers (Alliance! Guild! Porque é que estes sindicatos soam todos a World of Warcraft?) não conseguiram chegar a acordo sobre a participação nos lucros das vendas de DVD e exploração de conteúdos online.
Apesar de haver uma reunião de emergência entre a WGA e a AMPTP hoje (Domingo) de manhã, o mais provável é que os escritores entrem em greve na Segunda-feira.

A adesão será inevitavelmente total, já que qualquer escritor do sindicato que trabalhe durante a greve vai ver-se expulso da organização, e rapidamente abandonado pelos estúdios que nessa altura estarão interessados em manter a WGA contente. Esperam-se vários desenvolvimentos nas próximas semanas, em especial uma lista dos filmes em fase de escrita que conseguiram acabar os seus guiões antes desta Segunda.

Esta será também uma hipótese de destrinçar da indústria do cinema independente americana os "falsos independentes" - distribuidoras de filmes independentes afectas aos grandes estúdios. Uma produção verdadeiramente independente não estará abrangida pela WGA, e logo poderá segui o seu curso de produção normalmente.

Os poucos filmes que os grandes estúdios conseguirão fazer para o próximo verão não deverão conseguir competir com filmes de outros mercados como Canadá, Reino Unido, ou França, e terão pela primeira vez uma competição directa dos independentes.

Vai ser interessante.


Para já, dá para acompanhar a troca azeda de palavras entre os dois lados da luta:
Site da Writer's Guild of America
Site da Alliance of Motion Picture and Television Producers