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segunda-feira, fevereiro 11

Greve WGA acaba Quarta-feira
Contrato com os produtores em votação



Cheios de zelo, os telejornais portugueses já noticiavam o final da greve dos argumentistas durante este fim de semana. A verdade é que apenas Domingo houve uma reunião para acertar os detalhes da linguagem do novo contrato com os produtores, e mesmo essa reunião esteve em risco pois às duas da manhã do mesmo dia a Writers Guild of America ainda não tinha acabado a sua parte do documento.

Agora, depois de equilibradas as exigências e de feito o acordo, os guionistas têm até Quarta-feira para desmantelar os protestos e os piquetes, e poderão regressar ao trabalho de imediato. Os membros da WGA ainda poderão votar contra o contrato nos próximos 10 dias, mas dizem os insiders que o clima de exaustão e de aceitação dos termos indica para que não haja mais entraves a um regresso à normalidade.

O maior golpe para quebrar a resistência dos produtores terá mesmo sido a sucessão de acordos paralelos entre a WGA e pequenos estúdios, o que apesar de ser uma jogada arriscada colocou os grandes estúdios numa situação embaraçosa. Sendo assim, a cerimónia de entrega dos Óscares decorrerá sem problemas no próximo dia 24 de Fevereiro.

quarta-feira, janeiro 9

Desenvolvimentos na greve da WGA
United Artists (re)começa o trabalho


Tom Cruise e Paula Wagner, da nova United Artists

É o desenvolvimento mais significativo na greve dos guionistas americanos até ao momento: a WGA (Writer's Guild of America) concluiu um acordo com a produtora United Artists. A United Artists, que recentemente tinha estado num estado de suspensão, foi re-activada no final de 2006 por Tom Cruise e Paula Wagner, uma dupla de produtores de longa data. Assim, a pequena United Artists é para já a única produtora com autorização para prosseguir o trabalho em toda Hollywood.

Esta jogada insere-se na estratégia "divide and conquer" da WGA, já que a United Artists está sob o abrigo do grupo Metro-Goldwyn Mayer. A AMPTP já expressou o seu desagrado a Harry Sloan, o presidente da MGM, por permitir que se fragilize a posição dos estúdios nesta luta.

Entretanto, a cerimónia de entrega dos Golden Globes para 2007 já foi cancelada, devido ao eventual piquete dos guionistas à entrada, o que levaria à não-comparência de actores ou realizadores. A organização do evento vai tentar diminuir os seus prejuízos com uma transmissão especial. Mesmo a realização dos Óscares está ameaçada, caso ainda não haja acordo pela data da cerimónia.

Entre o acordo com a United Artists, o regresso de David Letterman, e a ameaça aos Óscares, não se espera que a greve chegue ao verão, altura em que tanto actores e realizadores se juntariam ao protesto.

sábado, dezembro 29

O primeiro sinal do fim da greve
Letterman negoceia com a WGA o regresso ao trabalho



Depois de meses de negociações falhadas, onde a estratégia dos produtores foi a de não dialogar, está aqui aquele que poderá ser o primeiro sintoma do fim da greve dos argumentistas de Hollywood. Em negociações isoladas, a WGA (Writer's Guild of America) permitiu ao escritores associados à World Wide Pants (a empresa de David Letterman que detém o seu programa e o de Craig Ferguson) voltarem ao trabalho no dia 2 de Janeiro.

Já estava programado que os talk shows voltariam em Janeiro, independentemente da stuação da greve, mas sempre sem os seus argumentistas, ficando a escrita ao cargo dos pivots dos programas (bizarro, mas ao mesmo tempo interessante). Assim, os programas da companhia de Letterman (o Late Show e o Late Late Show de Craig Ferguson) vão ser os primeiros a regressar, e na forma antiga, o que lhes vai permitir o monopólio do género. A ideia desta estratégia é a de pressionar os programas maiores (o de Jay Leno, por exemplo) a quererem voltar a utilizar os seus argumentistas, o que implica que por sua vez estes pressionem a AMPTP a aceder às exigências da WGA.

É uma jogada arriscada, já que o facto da WGA ter basicamente quebrado a solidariedade interna vai retirar a moral da unidade aos outros argumentistas aos quais a WGA ainda não deu autorização para regressarem ao trabalho. Não se esperará que os argumentistas comecem a ignorar a WGA e a quebrar a greve sozinhos, mas vão exercer mais pressão para que a greve acabe o mais cedo possível.

Seja como for, este é um desenvolvimento enorme que de uma maneira ou de outra vai ditar o fim da greve. Um bom sinal para todos, independentemente do lado em que estão.

Fontes
NY Times
Deadline Hollywood

terça-feira, novembro 6

Primeiras novas da Greve
WGA retira exigência de residuais de DVD


Um grevista usa o seu iPhone para tirar uma foto aos colegas em piquete, frente aos estúdios da FOX

Já começam a vir os primeiros resultados da greve da WGA. Do lado das negociações, a guilda dos escritores cedeu a exigência do aumento dos ganhos residuais (uma espécie de royalties) na venda de DVDs, e centra-se agora nos residuais de conteúdos descarregáveis. Esta é uma retirada estratégica, já que abandonando uma das exigências basicamente forçam os estúdios a ceder a outra. Sendo que se prevê que conteúdos descarregáveis venham muito em breve substituir os DVDs nos Estados Unidos, é uma jogada a longo prazo, semi-arriscada.

Quanto às manifestações e piquetes frente a instalações dos estúdios, tem havido grande aderência (mesmo os números mais baixos reportam mais de 3000 escritores sitiados, só na cidade de Los Angeles), e várias manifestações de solidariedade de outros profissionais da indústria.

Ellen DeGeneres, Marg Helgenberger e Robert Patrick são alguns dos actores mais conhecidos a juntarem-se à manifestação no passeio, enquanto que os teamsters (condutores para os estúdios) apoiam os escritores ao se recusarem a "furar" piquetes com os seus transportes.

Steve Carell é um dos actores que nem sequer compareceu às filmagens que tinha previstas (nomeadamente, episódios do The Office americano) em manifesto de solidariedade com a greve. Jon Stewart, anfitrião do Daily Show, já prometeu cobrir os salários de dois meses dos escritores do programa. Por outro lado, há uma quantidade considerável de "civis" que comparecem aos piquetes, e manifestações sui generis como o do clube de fãs de Joss Whedon que entregou pizzas aos escritores nos vários pontos de piquete.

Para mais inform,ações, o blog Deadline Hollywood é actualizado com frequência sobre o estado das negociações.

Update: Um vídeo fornecido pela WGA explica as razões por que estão a fazer greve, em termos simples (apesar de já não estarem a reclamar o aumento dos residuais de DVD que aparecem no princípio do vídeo). Check it out:

domingo, novembro 4

Afinal a greve vai seguir
WGA marca começo da greve para Segunda



Afinal vai haver mesmo greve em Hollywood, já que a Writers Guild of America e a Alliance of Motion Picture and Television Producers (Alliance! Guild! Porque é que estes sindicatos soam todos a World of Warcraft?) não conseguiram chegar a acordo sobre a participação nos lucros das vendas de DVD e exploração de conteúdos online.
Apesar de haver uma reunião de emergência entre a WGA e a AMPTP hoje (Domingo) de manhã, o mais provável é que os escritores entrem em greve na Segunda-feira.

A adesão será inevitavelmente total, já que qualquer escritor do sindicato que trabalhe durante a greve vai ver-se expulso da organização, e rapidamente abandonado pelos estúdios que nessa altura estarão interessados em manter a WGA contente. Esperam-se vários desenvolvimentos nas próximas semanas, em especial uma lista dos filmes em fase de escrita que conseguiram acabar os seus guiões antes desta Segunda.

Esta será também uma hipótese de destrinçar da indústria do cinema independente americana os "falsos independentes" - distribuidoras de filmes independentes afectas aos grandes estúdios. Uma produção verdadeiramente independente não estará abrangida pela WGA, e logo poderá segui o seu curso de produção normalmente.

Os poucos filmes que os grandes estúdios conseguirão fazer para o próximo verão não deverão conseguir competir com filmes de outros mercados como Canadá, Reino Unido, ou França, e terão pela primeira vez uma competição directa dos independentes.

Vai ser interessante.


Para já, dá para acompanhar a troca azeda de palavras entre os dois lados da luta:
Site da Writer's Guild of America
Site da Alliance of Motion Picture and Television Producers

terça-feira, outubro 9

Deste lado da greve em Hollywood
Máquina em sobreaquecimento



Uma greve não é nada do outro mundo. Neste caso, como em todos os outros, os empregados avisaram os patrões da indústria que iam fazer greve caso estes não acedessem a algumas alterações nas condições de trabalho. A diferença é que a indústria em causa é a de entretenimento. Em particular Hollywood.

Qualquer outra indústria tem stocks, e maneiras de contornar uma paralisia de produção. Mas em Hollywood não há filmes em stock. Assim que um filme é montado, circula o mais cedo possível pelas salas. O produto é consumido assim que sai da linha de montagem.

O que faz com que a ameaça de greve dos escritores, actores e realizadores que trabalham em Hollywood seja uma ameaça séria aos estúdios. Tendo anunciado o princípio da greve para Novembro, por causa da não-aprticipação dos argumentistas nos proveitos dos filmes, a Writers Guild of America (WGA) lançou a corrida dos estúdios à produção do dobro dos filmes do costume, com vista a não se depararem com a situação de um verão de 2008 sem blockbusters.

Mesmo não havendo a certeza da greve entrar em efeito, ou mesmo a certeza se os sindicatos dos actores e dos realizadores se iriam juntar ao protesto, nos últimos tempos tem-se assistido a uma febre de aprovação de projectos cinemáticos.

Resultado: filmes como GI JOE (com participação especial de Action Man), VOLTRON (uma série animada que serviu de base aos Power Rangers) e JUSTICE LEAGUE OF AMERICA (uma espécie de super-equipa com heróis dos comics da DC) já estão em fases avançadas de desenvolvimento, quando antes dificilmente obteriam aprovação.
Os actores de perfil mais elevado já todos se encontram de agenda repleta, encavalitando projectos uns em cima dos outros, e adiando produções independentes.

Quer haja greve quer não, já podemos ter a certeza quem em finais de 2008 e 2009 vamos ter um catálogo de filmes aos quais não foi dado espaço de maturação, escritos o mais depressa possível e filmados a correr.

Vai ser giro.