segunda-feira, fevereiro 11

RIP - Roy Scheider 1932-2008
Morte de cancro aos 75 anos



Enrugado, pele curtida, nariz adunco e olhos preguiçosos. Roy Scheider tinha todas as imperfeições de um leading man perfeito, de uma máquina de carisma. Morreu ontem aos 75 anos vítima de doença prolongada, e deixa uma filmografia subvalorizada e um talento subaproveitado.

Este actor é mais conhecido como o Chief Brody de JAWS, apesar de já ter tido papéis principais em filmes como THE FRENCH CONNECTION, THE EXORCIST ou MARATHON MAN. Na minha opinião, o seu melhor momento terá sido em ALL THAT JAZZ, um musical de humor negro (semi-autobiográfico do realizador Bob Fosse) que nos mostra os últimos dias da vida de um coreógrafo que tenta manter o "espectáculo" da sua vida a funcionar até ao último segundo. Já era um filme excelente, e agora tornou-se ainda mais pujante.

Perdoem-me a escolha óbvia, mas às vezes o evidente é o correcto:

domingo, fevereiro 10

Retrospectivas do Fantas
Eclectismo salpicado de sangue



Já se vai sabendo o programa do 28º Fantasporto, e a selecção deste ano em termos de retrospectivas é bastante saudável. Breves pontos altos:

Uma himenagem a Fernando Lopes vai trazer-nos quatro filmes e quatro curtas da sua autoria. Graças a uma retrospectiva do actor Max von Sydow, vai-nos ser possível ver dois filmes de Ingmar Bergman (THE SEVENTH SEAL e WILD STRAWBERRIES), SLEEPLESS de Dario Argento e o FLASH GORDON de 1980. Vai haver também uma retrospectiva do homem da renascença Alejandro Jodorowsky, com quatro dos seus filmes e um documentário sobre a sua pessoa (LA CONSTELACIÓN JODOROWSKY), com entrevista ao próprio.

Vieram do Estranho

A nível de ficção científica, vai haver uma retrospectiva deliciosa com o estranho nome de "Filmes Esquecidos", com clássicos do género tais como FORBIDDEN PLANET, THE DAY THE EARTH STODD STILL (remake para breve), THE INCREDIBLE SHRINKING MAN, WAR OF THE WORLDS (1953) e até ROCKY HORROR PICTURE SHOW (lingerie e bisnagas no Rivoli?).

Vai haver também uma selecção de filmes série B, tais como ATTACK OF THE KILLER TOMATOES, MEET THE FEEBLES (Peter Jackson!), LORNA (Russ Meyer!), GLEN OR GLENDA (Ed Wood!) entre outros. Um desses outros sendo um filme espanhol com o sugestivo título de ELLOS ROBARON LA PICHA DE HITLER.

Terrores da Ásia

Para além de uma retrospectiva "Terror Asiático", que conta com nomes como o de Kim Ki-Duk e Isao Yukisada, vai haver ainda uma retrospectiva Takashi Miike, com uma selecção de 14 filmes com envolvimento do mestre do gore incluindo ICHI THE KILLER, AUDITION e FULL METAL YAKUZA.

Menos aterrorizante é a retrospectiva dos Estúdios Ghibli, que será sem dúvida das retrospectivas mais populares.


Fonte: Bela Lugosi is Dead

Primeira foto de Rourke em THE WRESTLER
Filme de Darren Aronofsky no mundo do Wrestling (!)


Mickey Rourke como "The Ram" ao lado do treinador e ex-wrestler "Afa the Wild Samoan"

Os próximos dois projectos de Darren Aronofsky são THE WRESTLER, e depois THE FIGHTER. O último vai ser a história do pugilista "Irish" Micky Ward, um pugilista amador que acabou por conseguir vingar nos profissionais.

A foto acima é a primeira imagem de Mickey Rourke no papel de Randy "The Ram" Robinson, um ex-"lutador" de wrestling que teve de sair do desporto por condições cardíacas. Depois de anos após a sua saída do espectáculo do wrestling e quase na ruína, "The Ram" é convencido a voltar para mais uma luta, ainda que isso possa significar a sua morte.

THE WRESTLER será uma visão por dentro e sem o habitual distanciamento irónico sobre o mundo do wrestling profissional, de forma a mostrar todas as nuances deste género de espectáculo desde os tempos de feira carnavalesca. Será provavelmente também o primeiro filme de Aronofsky que não vai contar com banda sonora de Clint Mansell, já que o guião aponta para o uso de música licensiada de bandas como AC/DC, Guns n' Roses ou Def Leppard.

THE FIGHTER, ainda sem data apra filmagens, vai contar com Mark Wahlberg no papel titular.

Estreias 7 Fevereiro



Estreias

GONE BABY GONE, de Ben Affleck
[Ver Trailer] [Site Oficial] | Vista Pela Última Vez
O primeiro trabalho de realização de Ben Affleck, que teve uma óptima recepção crítica nos Estados Unidos. Casey Affleck é um detective que vai tentar encontrar uma menina desaparecida em Boston nas primeiras 24 horas após o seu rapto.

JOHN RAMBO, de Sylvester Stallone
[Ver Trailer] [Site Oficial]
Depois de telefonar à Soldier of Fortune, Sly Stallone ficou a saber que o conflito mais trendy do momento ocorre na Birmânia. Ficou assim decidido o cenário de JOHN RAMBO, aquele que poderá ser ou não o último filme Rambo.

IN THE VALLEY OF ELAH, de Paul Haggis
[Ver Trailer] [Site Oficial] | No Vale de Elah
Paul Haggis regressa com um projecto de escrita e direcção, que segundo a crítica tem ligeiramente mais bom gosto que CRASH (2004). Tommy Lee Jones é um pai que vai procurar resolver o mistério da morte do seu filho após o regresso deste do Iraque.


Já em exibição

3:10 TO YUMA, de James Mangold
[Ler crítica]
Um remake algo inferior ao original, mas ainda assim bastante desfrutável.

CLOVERFIELD, de Matt Reeves
[Ler crítica]
O princípio do regresso dos monster movies? Espera-se que sim!

DAQUI P'RÁ FRENTE, de Catarina Ruivo
[Ler crítica]
Um filme que é um produto pessoal. A história de uma dona de casa fascinada com a política, e um polícia desiludido com o mundo.

CASSANDRA'S DREAM
[Ler crítica]
Woody Allen aqui em muito melhor forma do que em SCOOP, mas não tão boa quanto MATCHPOINT.

quinta-feira, janeiro 31

Estreias 31 Janeiro



Estreias

INTO THE WILD, de Sean Penn
[Ver Trailer] [Site Oficial]
Baseado no livro de Jon Krakauer, que por sua vez foi baseado na história de um jovem que decidiu abandonar a civilização e ir viver na natureza, e mais tarde acabou por morrer à fome. Estreia apenas em Lisboa, esta semana. O resto do país é selvagem.

SWEENEY TODD: THE DEMON BARBER OF FLEET STREET, de Tim Burton
[Ver Trailer] [Site Oficial]
Johnny Depp é aqui um conde de Montecristo mais negro e vingativo. Baseado na peça de Barry Sondheim.

ASTÉRIX AUX JEUX OLYMPIQUES, de Frédéric Forestier e Thomas Langmann
[Ver Trailer] [Site Oficial]
Por Toutatis, mais uma bastardização da grande banda desenhada de Goscinny e Uderzo. O céu fica um pouco mais próximo da nossa cabeça.


Já em exibição

3:10 TO YUMA, de James Mangold
[Ler crítica]
Um remake algo inferior ao original, mas ainda assim bastante desfrutável.

CLOVERFIELD, de Matt Reeves
[Ler crítica]
O princípio do regresso dos monster movies? Espera-se que sim!

DAQUI P'RÁ FRENTE, de Catarina Ruivo
[Ler crítica]
Um filme que é um produto pessoal. A história de uma dona de casa fascinada com a política, e um polícia desiludido com o mundo.

CASSANDRA'S DREAM
[Ler crítica]
Woody Allen aqui em muito melhor forma do que em SCOOP, mas não tão boa quanto MATCHPOINT.

Vencedores Sundance '08
O vale encantado dos independentes



Documentários

Grand Jury Prize - TROUBLE THE WATER, realizado pela rapper Tia Lessin e Carl Deal. São as filmagens do casal e da sua luta pela sobrevivência em new Orleans durante as cheias resultantes da passagem do furacão Katrina.

Audience Award - FIELDS OF FUEL, realizado por Josh Tickell. Um olhar sobre a dependência do petróleo na América. Ao volante da sua carrinha ecológica, Tickell vai confrontar os interesses económicos por trás do petróleo.


Ficção

Grand Jury Prize - FROZEN RIVER, realizado por Courtney Hunt. A história de como uma dona de casa e d euma jovem índia Mohawk se juntam para trazer imigrantes para os Estados Unidos através do Canadá.

Audience Award - THE WACKNESS, realizado por Jonathan Levine. Durante um verão Nova-Iorquino nos anos 90, um jovem recorre às sessões de um velho psicólogo, pagando-lhe com marijuana. Entretanto, apaixona-se pela filha do psicólogo.

3:10 TO YUMA, de James Mangold
Pouca terra, pouco céu


IMDb | O Comboio das 3 e 10

Não é fácil ganhar: ou um remake traz algo de novo, e sofre a sempre injusta comparação com o filme que veio antes, ou então segue o mesmo caminho do predecessor e é acusado de não trazer nada de novo. Mesmo que haja um bom equilíbrio entre a inovação e o repensamento, vai sempre estar lá o dedo que acusa de falta de originalidade.
Há cinquenta anos atrás (!) 3:10 TO YUMA foi um western, em certa medida derivado do brilhante HIGH NOON (1952), que não tinha nada de particularmente notável mas que tinha uma trama simples e directa, e um personagem muito bem conseguido no papel interpretado por Glenn Ford.

Esta revisão de James Mangold traz-nos um filme com mais caracterizações (para o melhor e para o pior) e com um ritmo muito mais acelerado. Christian Bale é Dan Evans, um agricultor perto da ruína que está à espera de um milagre. O seu problema não é o de acreditar ou não no milagre, mas o de conseguir dinheiro para manter o seu rancho até este chegar. Quando uma milícia local consegue capturar o célebre bandido Ben Wade (Russell Crowe, com um digno esforço que não chega a alcançar o élan de Glenn Ford), Evans vê aqui uma oportunidade não só para conseguir o dinheiro que precisa, como para recuperar o respeito do seu filho mais velho, que tal como o resto da cidade o considera um falhado.

O primeiro acto de 3:10 TO YUMA desvia-se muito pouco do original, excepto no que toca aos bandidos: Ben Wade é agora atormentado por uma espécie de maldição cristã que não faz nenhum tipo de sentido (e felizmente é abandonada antes do fim do filme), e o seu braço direito, interpretado com regozijo bidimensional por Ben Foster, é um seu fã submisso que representa o lado negro que Wade no fundo deseja não ter.

A principal diferença entre este remake e o original é encapsulada na sequência do primeiro assalto à caleche. Onde antes apenas testemunhávamos um assalto cordial onde a violência proveio do descuido, aqui somos sujeitos a uma cena de acção exagerada e frenética que pouco tem a ver com o propósito intimista do filme. Este tipo de adrenalinterlúdios vão surgindo ao longo da duração do filme, soando mais a intromissões do que a marcadores de ritmo.

Mas, até aqui, nenhum cirme excepcional. De facto, este remake era bastante tolerável e conseguia manter a temática do original apesar da acção acrescida que apesar de desligada dos personagens é benvinda e divertida. O problema principal deste 3:10 TO YUMA é mesmo o final. Sem querer revelar, nem comparar com o original (também o final era o seu ponto algo fraco), Mangold optou por se distanciar do final de 1957 e adicionar uma conclusão inesperada e totalmente injustificável.

3:10 TO YUMA será o menos bem conseguido da recente fornada de projectos de revivalismo do western, mas continua a ser um filme fácil de desfrutar.