quinta-feira, janeiro 31

Estreias 31 Janeiro



Estreias

INTO THE WILD, de Sean Penn
[Ver Trailer] [Site Oficial]
Baseado no livro de Jon Krakauer, que por sua vez foi baseado na história de um jovem que decidiu abandonar a civilização e ir viver na natureza, e mais tarde acabou por morrer à fome. Estreia apenas em Lisboa, esta semana. O resto do país é selvagem.

SWEENEY TODD: THE DEMON BARBER OF FLEET STREET, de Tim Burton
[Ver Trailer] [Site Oficial]
Johnny Depp é aqui um conde de Montecristo mais negro e vingativo. Baseado na peça de Barry Sondheim.

ASTÉRIX AUX JEUX OLYMPIQUES, de Frédéric Forestier e Thomas Langmann
[Ver Trailer] [Site Oficial]
Por Toutatis, mais uma bastardização da grande banda desenhada de Goscinny e Uderzo. O céu fica um pouco mais próximo da nossa cabeça.


Já em exibição

3:10 TO YUMA, de James Mangold
[Ler crítica]
Um remake algo inferior ao original, mas ainda assim bastante desfrutável.

CLOVERFIELD, de Matt Reeves
[Ler crítica]
O princípio do regresso dos monster movies? Espera-se que sim!

DAQUI P'RÁ FRENTE, de Catarina Ruivo
[Ler crítica]
Um filme que é um produto pessoal. A história de uma dona de casa fascinada com a política, e um polícia desiludido com o mundo.

CASSANDRA'S DREAM
[Ler crítica]
Woody Allen aqui em muito melhor forma do que em SCOOP, mas não tão boa quanto MATCHPOINT.

Vencedores Sundance '08
O vale encantado dos independentes



Documentários

Grand Jury Prize - TROUBLE THE WATER, realizado pela rapper Tia Lessin e Carl Deal. São as filmagens do casal e da sua luta pela sobrevivência em new Orleans durante as cheias resultantes da passagem do furacão Katrina.

Audience Award - FIELDS OF FUEL, realizado por Josh Tickell. Um olhar sobre a dependência do petróleo na América. Ao volante da sua carrinha ecológica, Tickell vai confrontar os interesses económicos por trás do petróleo.


Ficção

Grand Jury Prize - FROZEN RIVER, realizado por Courtney Hunt. A história de como uma dona de casa e d euma jovem índia Mohawk se juntam para trazer imigrantes para os Estados Unidos através do Canadá.

Audience Award - THE WACKNESS, realizado por Jonathan Levine. Durante um verão Nova-Iorquino nos anos 90, um jovem recorre às sessões de um velho psicólogo, pagando-lhe com marijuana. Entretanto, apaixona-se pela filha do psicólogo.

3:10 TO YUMA, de James Mangold
Pouca terra, pouco céu


IMDb | O Comboio das 3 e 10

Não é fácil ganhar: ou um remake traz algo de novo, e sofre a sempre injusta comparação com o filme que veio antes, ou então segue o mesmo caminho do predecessor e é acusado de não trazer nada de novo. Mesmo que haja um bom equilíbrio entre a inovação e o repensamento, vai sempre estar lá o dedo que acusa de falta de originalidade.
Há cinquenta anos atrás (!) 3:10 TO YUMA foi um western, em certa medida derivado do brilhante HIGH NOON (1952), que não tinha nada de particularmente notável mas que tinha uma trama simples e directa, e um personagem muito bem conseguido no papel interpretado por Glenn Ford.

Esta revisão de James Mangold traz-nos um filme com mais caracterizações (para o melhor e para o pior) e com um ritmo muito mais acelerado. Christian Bale é Dan Evans, um agricultor perto da ruína que está à espera de um milagre. O seu problema não é o de acreditar ou não no milagre, mas o de conseguir dinheiro para manter o seu rancho até este chegar. Quando uma milícia local consegue capturar o célebre bandido Ben Wade (Russell Crowe, com um digno esforço que não chega a alcançar o élan de Glenn Ford), Evans vê aqui uma oportunidade não só para conseguir o dinheiro que precisa, como para recuperar o respeito do seu filho mais velho, que tal como o resto da cidade o considera um falhado.

O primeiro acto de 3:10 TO YUMA desvia-se muito pouco do original, excepto no que toca aos bandidos: Ben Wade é agora atormentado por uma espécie de maldição cristã que não faz nenhum tipo de sentido (e felizmente é abandonada antes do fim do filme), e o seu braço direito, interpretado com regozijo bidimensional por Ben Foster, é um seu fã submisso que representa o lado negro que Wade no fundo deseja não ter.

A principal diferença entre este remake e o original é encapsulada na sequência do primeiro assalto à caleche. Onde antes apenas testemunhávamos um assalto cordial onde a violência proveio do descuido, aqui somos sujeitos a uma cena de acção exagerada e frenética que pouco tem a ver com o propósito intimista do filme. Este tipo de adrenalinterlúdios vão surgindo ao longo da duração do filme, soando mais a intromissões do que a marcadores de ritmo.

Mas, até aqui, nenhum cirme excepcional. De facto, este remake era bastante tolerável e conseguia manter a temática do original apesar da acção acrescida que apesar de desligada dos personagens é benvinda e divertida. O problema principal deste 3:10 TO YUMA é mesmo o final. Sem querer revelar, nem comparar com o original (também o final era o seu ponto algo fraco), Mangold optou por se distanciar do final de 1957 e adicionar uma conclusão inesperada e totalmente injustificável.

3:10 TO YUMA será o menos bem conseguido da recente fornada de projectos de revivalismo do western, mas continua a ser um filme fácil de desfrutar.

sábado, janeiro 26

CLOVERFIELD, de Matt Reeves
A tradução de kaiju


IMDb | Nome de Código: Cloverfield

E no princípio, houve o marketing viral. Depois da estreia da teaser nos Estados Unidos para o então "01-18-08" à frente de TRANSFORMERS, houve uma profusão de sites-puzzle que davam a entender que nos iam esclarecer do que se tratava este "projecto desconhecido de JJ Abrams" se resolvessemos uma série de enigmas que pareciam não levar a lado nenhum. Agora que o filme já estreou, sabe-se que nem um terço daqueles sites estava de facto associado ao filme. Azar para quem perdeu tempo naquilo.

E depois de se falar em Lovecraft, e de se falar em Godzilla, agora sabemos de que trata Cloverfield: é a gravação feita por alguns cidadãos de New York durante o ataque à cidade de um monstro gigante. O filme abre com um breve interface que nos informa que o que quer que se passou já parece resolvido, que o que vamos ver é uma gravação oportuna feita por civis, e que tudo irá acabar no Central Park.

Daí saltamos logo para a gravação no cartão de memória da mais milagrosa câmara de filmar de sempre (falha de bateria? memória insuficiente? danos físicos? tudo coisas do passado). O que a gravação nos mostra é um grupo de jovens que querem registar a festa de despedida de Rob, que vai para o Japão para o seu emprego de sonho. Durante cerca de meia-hora é-nos desenhado um cenário de personagens principais e secundários e das relações que estes têm entre si, de uma forma mais ou menos disfarçada.

Por mais prevenidos que estivéssemos, é uma surpresa quando o ataque começa, e o filme entra num ritmo constante daí até ao final: vamos seguir um pequeno grupo dos jovens da festa no seu caminho através de Manhattan (e com alguns encontros com as criaturas) até ao apartamento da amantizada de Rob.

Uma vez mais será necessário ignorar a falácia de um dos jovens escolher filmar todo o seu progresso (técnicamente esta personagem é o realizador do filme!), mesmo quando se encontram entre uma criatura gigante e o exército. Mas, para dizer a verdade, não é necessária tanta suspensão de descrença como quando vemos, por exemplo, um filme Godzilla (a porcaria Hollywood de 1997 não conta).

CLOVERFIELD é um excelente thriller, é preciso que se diga. Vendo para além dos truques, estamos na presença de um filme kaiju simulado quase até à perfeição, e que se atreve a quase não mostrar o monstro em questão (não se preocupem, temos um ou dois olhares bem longos ao seu desenho). Tal como em BLAIR WITCH PROJECT, de maneira a criar uma atmosfera de medo à volta de uma ameaça quase invisível, o filme terá de se apoiar nos actores e no desenho de som. Tal como em BLAIR WITCH PROJECT, o primeiro é insatisfatório mas o segundo é brilhante.

Em suma, CLOVERFIELD recomenda-se. Mas a verdade é que não vai perder muito com a transferência para o "cinema em casa". Por último uma pequena palavra para as inevitáveis comparações com os ataques de 11 de Setembro: treta. O filme de facto vai buscar imagens a esse evento para melhor transmitir a ideia de uma catástrofe completamente inesperada, mas não tenta sequer ter algo a dizer sobre os ataques terroristas. O facto da ameaça nunca ter sido erradicada seria um bom argumento a favor de uma teoria da analogia... mas a verdade é que soa mais ao conceito de venda do filme do que outra coisa.

DAQUI P'RÁ FRENTE, de Catarina Ruivo
A solidão faz a força?


IMDb

DAQUI P'RÁ FRENTE é a história de Dora e António, respectivamente uma esteticista que passa as noites em reuniões de um pequeno partido de esquerda (EsqUerda?) e um polícia da capital a mãos com uma crise meia idade. Dora descarrega a sua criatividade e frustrações com o emprego na sua actividade partidária, desafiando a todo o momento a liderança de um sub-utlizado Luís Miguel Cintra. António está à espera de algo novo e melhor, mas que ainda não sabe o que é, e parece culpar a esposa por essa insatisfação, já que ele pouco a vê.

O retrato da capital segundo estes dois personagens está bem conseguido, sendo um marasmo cansado e usado de rotina para Dora e uma escuridão impessoal para António. Adelaide de Sousa tem mais sucesso a apresentar-nos o seu personagem, visto que este se traduz mais em acções do que um António perdido no espaço e no tempo.

O problema com DAQUI P'RÁ FRENTE é mesmo o de Catarina Ruivo concentrar em si a escrita do argumento, a realização e a montagem. A colaboração e diálogo entre estes três criativos fulcrais do acto cinematográfico é célebre pelos prejuízos que costuma trazer aos filmes, nomeadamente quando acontece cada um dos destes actores estar a levar o projecto numa direcção diferente. O que não é tão discutido é que esta colaboração também é o que torna o cinema uma forma de arte tão comunicativa, uma meio de comunicação tão artístico. Se houver mais do que um actor entre estes três departamentos, vão estar a compensar as fraquezas uns dos outros, ou a potenciar o ponto forte de cada um.

Ao ser escrito, realizado, e montado pela mesma pessoa, este filme ganha contornos de piada privada. As motivações dos personagens principais estão-nos ocultas, talvez por serem demasiado óbvias para a realizadora/argumentista/editora. Ou talvez porque a argumentista/editora/realizadora se viu obrigada a fazer escolhas sem a constante assistência de alguém com um ponto de vista diferente.

O que acaba por acontecer é que com DAQUI P'RÁ FRENTE nunca nos sentimos mais do que audiência, nunca somos recompensados como esperamos pela nossa abstracção ou pela nossa atenção ao detalhe.

De resto, o filme merecia uma melhor e mais ponderada banda sonora. Mais destaque para algumas das personagens secundárias. E, sem dúvida, um teste de tensão criativa.

quinta-feira, janeiro 24

Estreias 24 Janeiro



Estreias

3:10 TO YUMA, de James Mangold
[Ver Trailer] [Site Oficial]
Christian Bale é um agricultor com a tarefa de levar um criminoso (Russell Crowe) capturado pela milícia até a uma cidade maior, recorrendo ao comboio das 3 e 10 para Yuma. Remake do western de 1957.

THE DARJEELING LIMITED, de Wes Anderson
[Ver Trailer] [IMDb]
No mais recente filme de Wes Anderson, três irmãos embarcam numa viagem de auto-descoberta pela Índia.

CLOVERFIELD, de Matt Reeves
[Ver Trailer] [IMDb]
Depois do bombardeamento exaustivo de nu-marketing, chega o monster movie com a bênção de JJ. Seguimos o POV de um grupo de jovens que é apanhado num ataque animal à cidade de Nova Iorque.

DAQUI P'RA FRENTE, de Catarina Ruivo
[Site Oficial]
A segunda longa de Catarina Ruivo é um filme que se debruça sobre as dificuldades de mudar a nossa maneira de viver.


Já em exibição

CASSANDRA'S DREAM, de Woody Allen
[Ler crítica]

THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES..., de Andrew Dominik
[Ler crítica]

CHARLIE WILSON'S WAR, de Mike Nichols
[Ler crítica]

quarta-feira, janeiro 23

RIP - Heath Ledger 1979-2008



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Actualização: Bem, parece que THE IMAGINARIUM OF DOCTOR PARNASSUS vai mesmo ao fundo. As pessoas ligadas ao projecto que estavam à espera que as filmagens em Vancouver começassem foram despedidas. Neste momento há um braço-de-ferro entre os criativos e os investidores para poder dar uso às filmagens de Londres (que incluem o enforcamento do personagem de Ledger), mas estas bobines devem ir para à mesma pilha de THE MAN WHO KILLED DON QUIXOTE.
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O actor australiano Heath Ledger foi encontrado morto na sua casa ao fim da tarde de hoje, com suícidio como causa provável. Apesar de começar a carreira como um heartthrob para adolescentes, o actor veio a ter uma carreira mais sóbria a partir da sua participação em MONSTER'S BALL (2001), sendo outro marco BROKEBACK MOUNTAIN (2005). A sua carreira provavelmente não foi suficientemente longa para cumprir a promessa de um óptimo actor.

Em termos práticos, a sua prestação em I'M NOT THERE como Robbie Clark (a iteração Dylan mais pessoal e menos musical) será o seu último trabalho completo. O seu trabalho como Joker (agora tão eterno como o de Jack Nicholson, de uma maneira ou de outra) em THE DARK KNIGHT já estava técnicamente completo, com apenas alguma gravação de voz em falta. Contudo, não há garantias que ainda não fossem necessárias novas gravações d einserts.

Mais azar teve Terry Gilliam, que não vai poder utilizar o trabalho já realizado por Ledger, mas incompleto, no seu THE IMAGINARIUM OF DOCTOR PARNASSUS.

Durante a cerimónia dos Óscares, Ledger vai estar a competir injustamente por palmas ao lado de nomes como Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni.