quarta-feira, outubro 31

Estreias para 1 de Novembro


ELIZABETH: THE GOLDEN AGE, de Shekhar Kapur

Estreias

SICKO, de Michael Moore
Documentário sobre o estado do sistema de saúde americano. As primeiras impressões foram boas, prometem um Michael Moore mais maduro, apesar de poder contar com o histrionismo do costume. [Ver Trailer] [Site Oficial]

ELIZABETH: THE GOLDEN AGE, de Shekhar Kapur
A sequela do filme de 1998 sobre a mesma figura, neste capítulo a rainha Elizabeth I de Inglaterra terá de lidar com a ameaça espanhola, e com os conflitos internos. Clive Owen é o interese romântico. [Ver Trailer] [Site Oficial]

CORRUPÇÃO, de ninguém
A adaptação simbólica do livro "Eu, Carolina". Os produtores mandaram o realizador João Botelho dar uma volta na altura de montar o filme. Provavelmente, a evitar. [Ver Trailer] [Site Oficial]

Já em exibição

RESCUE DAWN, de Werner Herzog
Baseado no documentário de Herzog LITTLE DIETER NEEDS TO FLY, RESCUE DAWN é a história verídica do alemão Dieter Dangler, que após conseguir o seu desejo de voar ao se alistar com a força aérea americana, cai sobre o Laos durante a guerra do Vietname. [Ler crítica]

KNOCKED UP, de Judd Apatow
Depois de 40 YEAR OLD VIRGIN e SUPERBAD, Judd Apatow traz-nos uma comédia romântica que não enoja mas que também não convence. [Ler crítica]

THE BRAVE ONE, de Neil Jordan
Uma crítica à criminalidade, e uma perspectiva sobre as sequelas psicológicas de ser uma vítima dentro da cidade. Com Jodie Foster.

STARDUST
Um refrescante filme de fantasia dirigido a audiências mais jovens. Realizado por Matthew Vaughn e baseado no livro de Neil Gaiman.
[Ler crítica]

Stock de licra esgotado na Califórnia
Os super-heróis que vêm aí



Já se dsabia que havia planos para um filme JUSTICE LEAGUE (of America), mas foi recentemente revelado que este filme vai ser uma realidade paralela às actuais franchises Superman e Batman, o que vai tornar o processo de casting mais fácil (evitando o estúdio assim gastar o último filme do contrato de Christian Bale e poupando-o para o final da trilogia de Nolan). Para além disto, vem a sbaer-se agora que JUSTICE LEAGUE vai ser basicamente uma sonda. Isto porque o sucesso do filme vai ditar a realização de pelo menos dois spin-offs: The Flash e Green Lantern (would you like to know more?)

The Flash é um projecto que anda a circular há já algum tempo, tendo já mudado de realizador contratado três vezes (David Dobkin é o actual capitão), mas Green Lantern ter o seu próprio filme é novidade.

Claro que tudo depende de quanto dinheiro JUSTIUCE LEAGUE traz. Os estúdios de Hollywood são muito criativos, e conseguem arranjar maneira de demonstrar que nenhum filme lhes deu prejuízo ("esquecem-se" de contar as despesas de marketing, contam as receitas de DVDs no estrangeiro na totalidade e com câmbio favorável, etc), mas de certeza que vão estar a ser muito precisos na hora de decidir otros projectos de super-heróis, incluindo mesmo uma sequela a SUPERMAN RETURNS.

terça-feira, outubro 30

O meu amigo Dieter
RESCUE DAWN, de Werner Herzog



RESCUE DAWN é a adaptação para cinema da história de Dieter Dengler, já retratada pelo mesmo Werner Herzog no documentário LITTLE DIETER NEEDS TO FLY. Dengler foi um sobrevivente da guerra do Vietname, que conseguiu escapar de uma prisão na selva do Laos (oops, final revelado!) depois de se despenhar sobre o país.

O filme tem um primeiro plano brilhante, que nos remete para APOCALYPSE NOW, e desde logo nos sugere as diferenças entre estes dois filmes. Depois, somos apresentados a Dieter – Christian Bale – pouco antes da sua primeira corrida de bombardeamento ao serviço da US Air Force. Após o seu azar, Dieter acaba por ser encontrado na selva por uma milícia, que vai ter a cortesia de o torturar antes de o entregar a uma prisão de bambu.

Como prisioneiros já residentes, Bale vai encontrar uma equipa de sobreviventes de outro voo despenhado, dois pilotos e dois carregadores da Air America (transportes de bens da CIA). Apesar das suas provações após a captura, Dieter vai ser uma imagem da saúde à beira destes fantasmas em prisão há cerca de três anos. E, ao contrário do optimista Dieter, estes prisioneiros já se resignaram ao cativeiro, esperando que o conflito não se transforme numa guerra aberta e que a paz os liberte. Deste quarteto de actores secundários há que destacar Steve Zahn, do qual são mais conhecidos papéis desbotados em comédias molengonas. Zahn tem aqui uma prestação equiparável à de Christian Bale. O seu Duane é uma criatura nervosa que já perdeu toda a energia para estar agitada. O personagem parece uma camisola de lã esticada e comida por traças, que abana ao vento e espera que este esteja a soprar de boa feição: quando Dieter planeia a fuga, vai ser o seu primeiro e derradeiro apoiante.

O próprio Christian Bale, que já mais do que provou ser um actor soberbo, consegue com este papel mostrar uma faceta que usa bem menos, e que pode ser resumida com um sorriso.A sua caracterização padece (mais do que deve) da intimidade que há entre Herzog e Dengler. O personagem do último é uma pilha de boas vibrações, quente e carinhoso até ao fim, (quase) nunca tendo uma acção reprovável face a situações monstruosas. Mesmo a tortura não é por ele levado de modo pessoal. Acontece.

É de nota um momento no filme em que Dieter relata uma experiência da sua infância: “O caça vinha direito a nós e eu vi que o piloto me estava a olhar nos olhos. A partir desse momento, o pequeno Dieter precisava de voar”. Ao fim de um certo tempo apercebemo-nos que quem neste momento repete a memória de Dieter é Christian Bale, a criança que no EMPIRE OF THE SUN, do Spielberg, acena a um piloto americano que passa por ele num caça. Uma piscadela de olho que tem lugar num filme baseado em factos verídicos.

O final terá demasiada sacarose, mas perdoa-se. Afinal, o amigo do realizador acabou de escapar da morte certa.


Vão vê-lo com: Pessoas para quem o copo está sempre meio-cheio

quarta-feira, outubro 24

Estreias para 25 de Outubro


RESCUE DAWN, de Werner Herzog

Estreias

A OUTRA MARGEM, de Luís Filipe Rocha
Ricardo (Filipe Duarte) é um travesti que perdeu o gosto pela vida depois da morte do namorado. É então confrontado com a alegria de viver de Vasco (Tomás Almeida), o seu sobrinho, um adolescente com Síndrome de Down, que conhece quando regressa à cidade natal que abandonou há anos. A cadeia de filmes portugueses continua, e ainda bem.

RESCUE DAWN, de Werner Herzog
Baseado no documentário de Herzog LITTLE DIETER NEEDS TO FLY, RESCUE DAWN é a história verídica do alemão Dieter Dangler, que após conseguir o seu desejo de voar ao se alistar com a força aérea americana, cai sobre o Laos durante a guerra do Vietname.

RESIDENT EVIL: EXTINCTION, de Russell Mulcahy
A terceira parte dos largamente desinteressantes filmes Resident Evil. Mas, enfim, nunca poderá haver Milla Jovovich a mais no grande ecrã.


Já em exibição

KNOCKED UP, de Judd Apatow
Depois de 40 YEAR OLD VIRGIN e SUPERBAD, Judd Apatow traz-nos uma comédia romântica que não enoja mas que também não convence. [Ler crítica]

THE BRAVE ONE, de Neil Jordan
Uma crítica à criminalidade, e uma perspectiva sobre as sequelas psicológicas de ser uma vítima dentro da cidade. Com Jodie Foster.

STARDUST
Um refrescante filme de fantasia dirigido a audiências mais jovens. Realizado por Matthew Vaughn e baseado no livro de Neil Gaiman.
[Ler crítica]

Aviso à Navegação
Festas do Cinema Francês e da Animação

Só mesmo para avisar que começa hoje à noite na cidade do Porto a Festa do Cinema Francês. Já antes tinha sido dito neste blog, mas a participação do Porto só começa assim na recta final do Festival. A abertura é hoje às 21h30, na Fundação Serralves, com o documentário LAGERFELD CONFIDENTIAL de Rodolphe Marconi.
O programa para o Medeia do Bom Sucesso está óptimo, sobretudo no Sábado e Domingo. Tentem reservar os bilhetes antes do dia.

Entretanto, as noites de entrada livre na Casa da Animação continuam a encher, depois de uma primeira noite um pouco infeliz - não foi possível a projecção do "Best Of" das escolas contemporâneas francesas, sendo o público sujeito à muita imbecilidade com casos pontuais de competência de uma escola de arte israelita.

Ficam as dicas.

Auto-Serviço I


Sem querer perder demasiado tempo a olhar para o umbigo, com este post assinalo que este blog cumpriu recentemente o primeiro mês de existência, e com bons resultados. Apesar da difusão a nível quase que apenas familiar, o nível de visitas não só estabilizou como foi chegando a círculos ao qual nem havia planos de chegar.

A partir da próxima semana, ou daqui a duas se as coisas correrem não tão eficientemente, este blog vai poder contar com uma emissão áudio semanal de cinco minutos. Uma espécie de podcast, embora neste momento ainda não haja planos de ajustar este novo conteúdo a esse suporte. Fiquem à espera.


E, já agora, encerra também a primeira poll. À pergnta "Os títulos de filmes devem ser traduzidos?" tiveram mais votos as seguintes duas opções:
Sim, embora o título original deva sempre ter mais destaque - 32 votos (46% do total)
Não, os álbuns de música também não são - 25 votos (36% do total)

quinta-feira, outubro 18

Pena não terem abortado o projecto
KNOCKED UP, de Judd Apatow



Por virtude de datas de estreia que aos adeptos aparentam ser completamente aleatórias, temos esta semana nas salas portuguesas KNOCKED UP, o filme que Judd Apatow fez antes de SUPERBAD, tendo este último já estreado por aqui há duas semanas.

Depois de flirtar com o esquema da buddy comedy em 40 YEAR OLD VIRGIN, e antes de se servir do género da comédia de liceu em SUPERBAD, Judd Apatow dá-nos aqui a sua visão do que deveriam ser as romcom - comédias românticas. Em inglês, "knocked up" é um calão grosseiro para o evento da gravidez, e assim desde logo ficamos a saber que esta não será talvez uma comédia romântica nojentamente sacarosa. Seth Rogen é um drunfado tosco e preguiçoso que passa o dia a fumar erva, a dedicar-se a videojogos, e eventualmente a trabalhar com os seus colegas de quarto num projecto multimédia quiçá proveitoso que lhes acomoda o gosto pela nudez de celebridades. Katherine Heigl (que depois de fazer séries de TV do mais enfadonho parece ter ganhado um sentido de humor) é uma assistente subalterna num programa de televisão. Embora sofisticada e atraente, ela é demasiado ambiciosa para perder tempo a procurar relacionamentos afectivos, dedicando-se em vez disso ao trabalho.

Uma certa noite, Seth e Katherine, ambos embriagados, encontram-se numa discoteca. Improvavelmente, acabam os dois na cama. De manhã, Katherine Heigl rapidamente se apercebe do seu erro, e desfaz-se de Seth Rogen o mais depressa possível. Seria aqui o fim da estória, não fosse o milagre da vida/fecundação humana. Agora Rogen e Heigl terão de se esforçar por conseguirem um relacionamento saudável, por fazerem um casal feliz.


Às vezes ser pai é duro, outras vezes é apenas ridículo


E este é o sintoma da principal falha de KNOCKED UP. Mesmo sendo uma comédia, o filme está demasiado encerrado na sua direcção para fazer cedências a outros pontos de vista, ou mesmo cedências à lógica e ao senso comum. As personagens de Heigl e de Rogen nunca teriam um futuro como um casal, mas no entanto nenhuma outra hipótese é considerada quando é descoberta a gravidez. Ninguem menciona cedência da criança para adopção, e as duas únicas personagens que mencionaram (nem sequer mencionaram: deram a entender) a opção do aborto foram duas personagens já antes caracterizadas pelo filme como mesquinhas. Para além desta tacanhez moral, há toda uma série de situações improváveis que nem são explicadas, sendo apenas criadas a pensar na punchline: o personagem de Seth Rogen não tem nenhum vencimento mensal, e apesar de fumar droga, beber a toda a hora, e partilhar uma casa com piscina, de alguma maneira consegue sobreviver durante meio ano com menos de 900 dólares.

Judd Apatow parece crer que porque está a fazer comédia todo o género de atalho é justo. Engana-se redondamente. As suas comédias não são fantasistas, não são escapistas. Lidam com pessoas normais e problemas normais, procuram que a audiência se encontre nos personagens. Esse valor é completamente perdido quando o produto não se digna a obedecer às regras do mundo em que vivemos. Este problema toma dimensões muito maiores quando de repente as motivações de uma personagem mudam radicalmente, aparentmente apenas de maneira a criar novos conflitos e progressão.

No entanto, as piadas são boas. As prestações dos actores principais têm um bom nível, e até há alguns papéis secundários memoráveis (Alan Tudyk é aqui uma folha no vento). Vale a pena ver o filme... quando chegar à TV.


Vão vê-lo com: Pessoas alérgicas ao preservativo e imunes a product placement