domingo, outubro 7

Novo realizador para remake
ESCAPE FROM NEW YORK ainda mais insultado


Cliquem na foto para um cartaz digno de ser pendurado no Musei Vaticani

Update: Afinal já nem Brett Ratner vai realizar o remake. Para já ainda não há um substituto, mas há-de ser melhor do que o Brettster.

Há uns tempos foi anunciado que Len Wiseman ia realizar o remake do clássico de culto de John Carpenter ESCAPE FROM NEW YORK. Em vez de Kurt Russell como Snake Plissken vamos ter Gerard Butler (aquele que não se cansa de berrar que em Esparta as coisas fazem-se à homem), e em vez de um filme original e divertido provavelmente iríamos ter um filme de acção genérico.

Não é só a questão de ESCAPE ser uma propriedade de culto, com um seguimento que à partida se oporia a uma reimaginação. Não poderia haver optimismo desde o princípio já que as medalhas de Len Wiseman até à data eram dois filmes de vampiros terríveis e a castração da saga Die Hard. O facto de ter conseguido convencer a Kate Beckinsale a casar-se com ele abona a seu favor, mas pouco tinha a ver com a questão do remake.

As boas notícias: Len Wiseman já não vai realizar o remake.

As hediondas notícias: O novo realizador é Brett Ratner

Sim, o Brett Ratner de RUSH HOUR. O Brett Ratner que realizou videoclips para Mariah Carey e Jessica Simpson. Vai ser ele que nos vai mostrar a sua visão sobre um mundo distópico e azedo. Com banda sonora de LL Cool J, provavelmente.


Volta, Len. Estás perdoado.



Ps - Isto faz lembrar as queixas que havia contra David Goyer realizar o vindouro filme THE FLASH. Quando Goyer foi substituído por Shawn Levy, foi como comer o fruto da Árvore do Conhecimento. "We knew not the blissful state we were in..."

sexta-feira, outubro 5

Bob Dylan e Ian Curtis
O vídeo e as estrelas de rádio



Há boas e más maneiras de fazer publicidade viral. Uns tempos depois de um utilizador de youtube (agora claramente um empregado dos Weinstein) ter disponibilizado o primeiro clip do filme I'M NOT THERE (biopic de Todd Haynes sobre Bob Dylan), o mesmo vem disponibilizar uma espécie de trailer não-oficial de CONTROL. CONTROL, do "rock director" Anton Corbijn, é a biopic de Ian Curtis, o falecido vocalista dos Joy Division, e baseia-se nas memórias da viúva Deborah Curtis. Mas passemos aos clips, cortesia do departamento de publicidade viral dos Weinstein.

CONTROL, de Anton Corbijn


Nesta montagem, com cenas filmadas para CONTROL e gravações originais dos Joy Division, a principal mensagem é a de que o filme é o mais fiel possível em termos estéticos aos eventos e personagens reais. E de facto basta comparar com a performance original dos Joy Division no programa de Tony Wilson e as semelhanças estão lá (cliquem aqui se têm curiosidade), apesar da canção que eles naquela altura específica tocaram ter sido a "Shadowplay".

Mas o que consta é que as memórias de Deborah Curtis quase nada têm a ver com o as relações entre os membros da banda, e apenas uma perspectiva pessoal e limitada sobre a pessoa de Ian Curtis.
Para além disso, é sempre de esperar algum valor acrescentado quando se está a contar a história de uma figura, já que o biopic nunca chegará a ser propriamente um documentário. Veja-se o exemplo de 24 HOUR PARTY PEOPLE, que consegue ser fiel aos momentos e ideias chave mas que toma as liberdades necessárias onde pode de modo a servir-se a si mesmo como obra cinematográfica.



I'M NOT THERE, de Todd Haynes


Todd Haynes já fez VELVET GOLDMINE, o fantasista olhar sobre David Bowie e o glam rock que não obtém consenso sobre a sua qualidade (eu estou no campo dos que o adoram). E também já fez SUPERSTAR, a história de Karen Carpenter.
Agora realizou e co-escreveu I'M NOT THERE, uma arrojada interpretação da vida e obra de Bob Dylan. No filme, não há apenas uma personagem para Bob Dylan, mas vários aspectos/dimensões da sua personalidade e fases da sua música interpretados por actores diferentes.

Neste clip, Cate Blanchett (sim, uma mulher vai fazer um dos papéis de Bob Dylan) e alguns membros da sua entourage encontram o escritor Allen Ginsberg na estrada.
É espantoso e um bom presságio para o filme que nem o comediante David Cross como Ginsberg nem o facto de uma mulher interpretar um papel masculino nos distraem do que estamos a ver.

Definitivamente dois filmes pelos quais vale a pena salivar, ainda que haja mais garantias da qualidade de um do que do outro.

Porto fica à espera
8ª Festa do Cinema Francês



Já começou no passado dia 3 a oitava edição da Festa do Cinema Francês. É um festival que tem a elegância de se reproduzir por várias cidades do país, prevenindo a lambuzice do costume de Lisboa. Só que, mais uma vez, aqui no Porto temos de esperar pela parte final do evento para termos as antestreias no Cidade do Porto.

Entretanto, podemos aproveitar o sempre interessante Onda Curta (todos os domingos à noite na RTP2) e algumas longas-metragens que acompanham o festival, no mesmo canal.

Os filmes na RTP2 começam já amanhã, Sábado, e podem consultar o programa aqui:
http://60gp.ovh.net/~festadoc/filmes/natv.htm

De resto, enquanto a Festa não chega cá cima, ou caso se encontrem numa das outras cidades one o festival marca presença, recomenda-se a consulta do site oficial:

http://www.festadocinemafrances.com/

A partir desse site podem chegar à página Myspace do evento, que contém os cartazes dos filmes em exibição.

Vestir Imagens
Manga Curta e Last Exit to Nowhere



Há uns dias encontrei o site de t-shirts Last Exit to Nowhere, que se especializa em t-shirts com o tema de movie tie-ins. Basicamente pegam num detalhe de um filme de culto e referenciam-no no desenho. Nada que aponte claramente para o filme, mas algo que só será identificado por alguém que já viu esse filme.

Os filmes de culto, basicamente definidos pelo facto de ou não terem penetrado o mainstream ou por terem um seguimento de admiradores dedicados, sempre tiveram esta função. A de identificar os gostos de quem os usa como um dístico. Pode-se conhecer uma pessoa a certa altura e após meia hora de conversa pouco se saberá sobre eles. Mas se soubermos que também são fãs do The Big Lebowski, então não adianta quantos cachorrinhos esfolam por dia: não podem ser pessoas inteiramente más.

O princípio da Last Exit é o mesmo, o de usar os nossos gostos cinematográficos no peito. Mas a escolha deles por esta altura ainda é limitada, e com o valor do euro em relação à libra, fica um bocado caro.

Daí apresenta-se uma solução bem mais próxima. Já há mais de um ano que funciona o Manga Curta, um site português (diria mais: um projecto portuense!) que permite ao comum utilizador desenhar a sua própria t-shirt, que será quiçá aprovada para manufactura e distribuição.
Não são de todo pessoas que desdenham a sétima arte, como provado pelo concurso deles no âmbito do 15º Festival de Curtas de Vila do Conde.

Fica aí o desafio para quem tem jeito para o grafismo. T-shirts com sabor português.
T-shirts sobre o cinema de que gostamos, por favor.

quarta-feira, outubro 3

O fillet das estreias
4 de Outubro


PLANET TERROR, de Robert Rodriguez

Estreias

PLANET TERROR
A metade que faltava de GRINDHOUSE. Filme exploitation realizado por Robert Rodriguez.
[Ler crítica]

FADOS
Depois de FLAMENCO e TANGO, o espanhol Carlos Saura debruça-se sobre o género nacional. Com participação de Caetano Veloso, Chico Buarque, Carlos do Carmo, Camané, entre outros.


Já em exibição

THE BOURNE ULTIMATUM
Parte final da trilogia de Paul Greengrass baseada nos livros de Robert Ludlum. Um filme de acção sem oleosidade, concessões ou arabescos.
[Ler crítica]

O CAPACETE DOURADO
Primeira longa metragem de Jorge Cramez. Baseado em factos reais, a história dos obstáculos ao amor entre dois jovens portugueses.
[Ler crítica]

STARDUST
Um refrescante filme de fantasia dirigido a audiências mais jovens. Realizado por Matthew Vaughn e baseado no livro de Neil Gaiman.
[Ler crítica]

Capacete Desprotegido
O CAPACETE DOURADO, de Jorge Cramez



Quando adultos procuram retratar jovens, e jovens a interagir entre si, há dois erros frequentes: dar-lhes vozes e comportamentos adultos ou então fazer uma caricatura dos traços do jovem de hoje, exacerbando-lhe os maneirismos até ao ridículo. Em O CAPACETE DOURADO, felizmente, não vamos encontrar nenhum destes erros.

O CAPACETE DOURADO é a primeira longa metragem do realizador Jorge Cramez, que até aqui tinha sido assistente de realização em filmes como ADÃO E EVA e TOMAI LÁ DO O'NEILL. CAPACETE é a ficcionalização de um caso real, a tentativa de duplo suicídio de um casal de adolescentes em Guimarães, em 1999. No entanto esta base servirá apenas como pista para a interpretação do filme. Jorge Cramez dá-nos noventa minutos de um olhar surpreendentemente sóbrio sobre a juventude em meios suburbanos, e sobre o eterno dilema da juventude em qualquer sítio: o hedonismo e sede de vida que a todo o momento são contidos e oprimidos por uma sociedade de adultos.

O CAPACETE DOURADO consegue manter um visual interessante do princípio ao fim, com ideias que vão mais longe do que o livro de técnicas em que a maior parte do cinema português de massas se parece basear. Apesar deste espírito inventivo se manter constante, há alturas onde este se enamora consigo próprio, e derrapa. Estes são (felizmente, poucos) momentos de gosto duvidoso, quiçá de amadorismo. Um entediante ballet de motocicletas ao som do Danúbio Azul de Strauss (por favor!) não tem lugar ao lado de cenas de cortar a respiração como o de Maragarida, frágil e extasiada, a encontrar o seu lugar numa massa de corpos que dançam ao som de Echo & the Bunnymen.


Horas depois da festa, Jota ainda tinha a sensação de estar a ser seguido por uma equipa de filmagem


Este filme é de facto uma estreia impressionante, uma óptima promessa de Jorge Cramez. Mas o problema é que não passa disso. O CAPACETE DOURADO faz a bizarra escolha de não ter um arco, nem para os personagens nem para a trama. Não há desenvolvimento, apenas uma sucessão de eventos, e isto faz do filme não tanto uma estória como o faz um exercício. Salvam essa situação Eduardo Frazão e Ana Moreira, que com o pouco material que lhes é dado trazem à sua relação bastante credibilidade.

Depois do final abrupto, a audiência vai sentir-se como se alguém lhes tivesse levado alguma coisa. Como se algo lhes tivesse sido escondido. Mas mesmo asism vai sair da sala satisfeita. Porque viu um filme portugyuês que não se arrastou, porque viu um filme português que não parecia filmado por máquinas.

Recomenda-se, e entretanto espera-se melhor do próximo filme de Jorge Cramez.


Vão vê-lo com: Pessoal que não costuma ver cinema português, aquele amigo que não consegue ler um livro até ao fim

Magia Branca
STARDUST, de Matthew Vaughn



STARDUST consegue o feitiço de ser um filme para pré-adolescentes, sem alienar audiências mais maduras. Não há excesso de violência, nenhum sexo, nem palavras feias. Mas há um humor que consegue ser subversivo e negro sem ser danoso para os mais jovens. Um feito.

O filme aproveita do material de origem sobretudo a história de Tristan, um jovem empregado de loja britânico, e Yvaine, uma estrela que caiu à terra no reino de fantasia de Stormhold. Quando Tristan vê a estrela cair para lá do Muro (a separação entre o nosso mundo e o reino de fantasia), promete à rapariga por quem está apaixonado trazer-lhe uma amostra como prémio. Assim, Yvaine concentra em si os MacGuffins do filme: Tristan quer levá-la à rapariga por quem está apaixonado como prova do seu amor, os herdeiros ao trono de Stormhold procuram a jóia que Yvaine usa para serem escolhidos como o sucessor, e um trio de bruxas anciãs querem comer o coração de Yvaine, uma fonte de juventude.

As ideias principais do filme prendem-se com a honestidade - para com os outros e connosco - e embora não seja tão repetido durante o filme, também circula a noção de que as coisas nunca são o que aparentam, e logo deve-se evitar o preconceito. O costume para os filmes do género.

A liderar a ensemble temos Charlie Cox como Tristan e Claire Danes como Yvaine. O primeiro tem um bom trabalho que infelizmente é contido pela descrição do papel, e a segunda perde pela transformação pouco suave que o seu personagem sofre. Michelle Pfeiffer acaba por ter a única prestação digna de menção, com o seu papel de bruxa sádica e desesperada. Robert DeNiro é embaraçoso (mas não tanto quanto seria de esperar) como um aeropirata de armário e a má ideia de um cameo para Ricky Gervais é minimizada com a discrição da sua personagem.

O final acaba por ser apressado e atabalhoado, acabando numa nota confusa que não faz justiça ao resto do filme. Recomenda-se, com a ressalva que não devem esperar algo demasiado profundo. É no entanto divertido e um bom investimento de duas horas. O que se quer.


Vão vê-lo com: A ninhada, amigos pré-pubescentes